Caminhava até o ponto de ônibus, com os fones estourando uma música de rock pesado nos ouvidos, todos os dias. Recebia olhares tortos e observava a vizinha cochichar com a filha, provavelmente, alertando-a para não seguir o exemplo daquela rockeira sem causa. Suspirava ao tentar aumentar mais ainda o volume do pequeno MP3 preto que estava preso em sua calça, quando este já estava no volume máximo.
O ônibus chegara. A rockeira entrou logo nele, sem se importar se era por ordem de chegada, caminhou até o final do veículo - ignorando mais olhares feios - e sentou-se no último banco para olhar as ruas pela janela. Aquilo a relaxava. Menos de dois minutos depois, a música não ocupava mais seu ouvido. O aparelho descarregara, "Que droga!", ela pensava. Ligou sua segunda opção, um celular desgastado cheio de adesivos descascados, e colocou um rock de uma banda nova e desconhecida nas alturas. Na verdade, nem tão alto, já que o celular não abrangia de um alto falante potente. O ônibus todo olhou para a cara dela: "Desliga isso!", "Fone existe pra quê?", "Escute uma música normal!". Ela ouvira tudo pacientemente e, depois de abaixar o volume um pouco, falou: "É um transporte público e essa música é tão normal ou melhor do que as que vocês escutam. Meu MP3 descarregou e o fone não pega em meu celular. Os incomodados que se mudem ou, da próxima vez, tragam algodão para os ouvidos". O motorista sorriu: também era rockeiro. Ela aumentou o volume e voltou a relaxar.
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Acho que escrevo coisas melhores. O texto é bobo demais, eu sei. Só o digitei para mostrar que nem tudo que é normal pra você, também é pra mim. Nem tudo que você gosta, eu gosto. Mas temos que viver em sociedade e aceitar a convivência dolorosa (ou não) de nosso cotidiano.
O que a rockeira fez foi errado e certo ao mesmo tempo. Errado porque ninguém é obrigado á gostar ou escutar a música que ouvimos. E certo porque, querendo ou não, ônibus é publico e, se o motorista não se incomodou, ela pode escutar á vontade.
Esse é o meu ponto de vista. Concorda ou discorda? Comente o que você acha, estou apta á mudanças.




